terça-feira, 15 de maio de 2018

Documentos dizem que Roberto Marinho (Rede Globo) foi principal articulador da Ditadura Militar

Em telegrama ao Departamento de Estado norte-americano, embaixador Lincoln Gordon relata interlocução do dono da Globo com cérebros do golpe em decisões sobre sucessão e endurecimento do regime
Em telegrama ao Departamento de Estado norte-americano, embaixador Lincoln Gordon relata interlocução do Roberto Marinho  dono da Globo com cérebros do golpe em decisões sobre sucessão e endurecimento do regime


No dia 14 de agosto do 1965, ano seguinte ao golpe, o então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Lincoln Gordon, enviou a seus superiores um telegrama então classificado como altamente confidencial – agora já aberto a consulta pública. A correspondência narra encontro mantido na embaixada entre Gordon e Roberto Marinho, o então dono das Organizações Globo. A conversa era sobre a sucessão golpista.
Vejam Tambem Exaltação e propaganda da Ditadura Militar na Rede Globo 1975
Segundo relato do embaixador, Marinho estava “trabalhando silenciosamente” junto a um grupo composto, entre outras lideranças, pelo general Ernesto Geisel, chefe da Casa Militar; o general Golbery do Couto e Silva, chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI); Luis Vianna, chefe da Casa Civil, pela prorrogação ou renovação do mandato do ditador Castelo Branco.
No início de julho de 1965, a pedido do grupo, Roberto Marinho teve um encontro com Castelo para persuadi-lo a prorrogar ou renovar o mandato. O general mostrou-se resistente à ideia, de acordo com Gordon.
No encontro, o dono da Globo também sondou a disposição de trazer o então embaixador em Washington, Juracy Magalhães, para ser ministro da Justiça. Castelo, aceitou a indicação, que acabou acontecendo depois das eleições para governador em outubro. O objetivo era ter Magalhães por perto como alternativa a suceder o ditador, e para endurecer o regime, já que o ministro Milton Campos era considerado dócil demais para a pasta, como descreve o telegrama. De fato, Magalhães foi para a Justiça, apertou a censura aos meios de comunicação e pediu a cabeça de jornalistas de esquerda aos donos de jornais.
No dia 31 de julho do mesmo ano houve um novo encontro. Roberto Marinho explica que, se Castelo Branco restaurasse eleições diretas para sua sucessão, os políticos com mais chances seriam os da oposição. E novamente age para persuadir o general-presidente a prorrogar seu mandato ou reeleger-se sem o risco do voto direto. Marinho disse ter saído satisfeito do encontro, pois o ditador foi mais receptivo. Na conversa, o dono da Globo também disse que o grupo que frequentava defendia um emenda constitucional para permitir a reeleição de Castelo com voto indireto, já que a composição do Congresso não oferecia riscos. Debateu também as pretensões do general Costa e Silva à sucessão.
Lincoln Gordon escreveu ainda ao Departamento de Estado de seu país que o sigilo da fonte era essencial, ou seja, era para manter segredo sobre o interlocutor tanto do embaixador quanto do general: Roberto Marinho.
Documentos dizem que Roberto Marinho Rede Globo foi principal articulador da Ditadura Militar
Documentos dizem que Roberto Marinho Rede Globo foi principal articulador da Ditadura Militar
O histórico de apoio das Organizações Globo à ditadura não dá margens para surpresas. A diferença, agora, é confirmação documental.
Fonte: MPortal via JusBrasil

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Argentina: previsão de Míriam Leitão escrita em 2017 viraliza na rede

A previsão da jornalista virou do avesso e a Argentina caiu em uma crise cambial profunda, tendo que recorrer ao FMI novamente, após 18 anos
Argentina: previsão de Míriam Leitão escrita em 2017 viraliza na rede
Uma previsão econômica para a Argentina escrita pela jornalista Míriam Leitão no Globo, em outubro de 2017, logo após a vitória de Maurício Macri, voltou com força e viralizou nas redes nesta quarta-feira (9). Naquele momento, há um ano, Míriam previa:

“A economia da Argentina está em recuperação e pode crescer 3% este ano e 4% no ano que vem. Isso explica em parte a vitória do presidente Mauricio Macri nas eleições do último final de semana. O ajuste promovido pelo governo já traz resultados concretos que começam a ser percebidos pela população. A recuperação do Brasil também tem ajudado, pelas fortes relações comerciais entre os dois países.”
Hoje, meses depois da previsão da jornalista especializada em economia, o presidente argentino teve que recorrer ao FMI novamente depois de 18 anos, por conta de problemas em sua balança de pagamentos. O déficit das contas governamentais da Argentina permanece em torno de 6% e o PIB cresceu apenas 2,9%.
O governo argentino pretende obter uma linha de crédito – que qualificou de “preventivo” – de ao menos US$ 30 bilhões. A medida contraria declarações do próprio ministro da Fazenda argentino, Nicolás Dujovne, que em março de 2017 prometera que o país não voltaria aos empréstimos do FMI.
A intenção do pedido de crédito do governo Macri é conter a sangria que se estabeleceu na situação cambial argentina, com a recente escalada do dólar que já levou o governo a subir a taxa de juros de 22% para 40%.
O aumento significativo dos juros não acalmou o mercado e a fuga de capitais continuou. Nesta terça-feira (8), antes do anúncio do pedido de auxílio, a moeda americana bateu novo recorde, chegando a 23,40 pesos.
Fonte Revista Forum

sábado, 28 de abril de 2018

Globo recebe R$ 36,1 milhões de Temer dos R$ 110 milhões com propaganda da reforma da Previdência dinheiro público que Daria para pagar 115 mil aposentados ou para construir 78 unidades de pronto-atendimento de saúde ou31 escolas

Daria para pagar 115 mil aposentados com o benefício mínimo da Previdência, ou para construir 78 unidades de pronto-atendimento de saúde, ou, ainda, erguer 31 escolas. Essas são algumas das destinações que poderiam ter tido os R$ 110 milhões que o governo Michel Temer gastou com propaganda da reforma da Previdência, cuja votação naufragou na Câmara devido à falta de votos para aprovar a proposta de emenda à Constituição. O dinheiro foi gasto entre janeiro de 2017 e fevereiro de 2018.
Os dados foram obtidos pelo Congresso em Foco por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

Um terço de todo o montante foi direcionado à TV Globo. Foram R$ 36,1 milhões por meio do CNPJ da matriz e de quatro filiais. Para a rádio e a TV Record foram pagos R$ 12,3 milhões. O SBT ficou com R$ 9,9 milhões. Rádio e TV Band (incluindo filiais em Campinas e na Bahia), por sua vez, receberam R$ 1,9 milhão. Juntas, as quatro emissoras ficaram com R$ 60,3 milhões, ou seja, 90% dos R$ 66,9 milhões destinados a todas as TVs.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) afirma que escolheu veículos conforme a Instrução Normativa Secom nº 7, de 19 de dezembro 2014. As normas são diferentes para cada tipo de mídia, estabelecendo a utilização de pesquisas de audiência para definir quais emissoras e programas veicularão a propaganda na TV.
Para as emissoras de rádio, caso não haja pesquisa de audiência, o requisito é o cadastro de veículos da Secom, o Midiacad. O cadastro e a cobertura geográfica são requisitos para mídias externas (ao ar livre). Já para veículos online, os critérios são as pesquisas de audiência, perfil do público e segmento editorial. O Congresso em Foco recebeu, ao todo, R$ 24.457,03, divididos em três pagamentos em julho, setembro e dezembro de 2017.
Veja, nos gráficos abaixo, como o dinheiro foi distribuído.